terça-feira, 7 de outubro de 2025

Tutancâmon


Tutancâmon foi um faraó da 18 º dinastia e reinou no Egito durante nove anos, de 1336 a 1327 a.C..


Era filho do faraó Aquenatón e de uma concubina. Era, portanto, enteado de Nefertiti, a esposa principal do faraó. Durante seu reinado, Aquenatón tentou introduzir o culto a um deus único, ao deus Aton, identificado com o sol no Egito.


Obs:o nome do faraó foi escrito durante muito tempo na língua portuguesa como Tutankhamon, uma reedição malfeita do inglês. Porém, hoje se utiliza a grafia Tutancâmon, mais de acordo com o português.

Nascido de uma das esposas secundárias do seu pai, Tutancâmon padeceu de alguma doença degenerativa devido aos frequentes casamentos entre irmãos. Sofria constantemente dores nos ossos e devia caminhar apoiado por uma muleta.


Casou-se com sua meia-irmã Anchesenamon (filha de Aquenatón e Nefertiti) aos nove anos. O casal não deixou herdeiros, mas teve duas filhas que morreram quando ainda eram bebês.


Conheça a Teocracia.


Durante seu breve governo, restaurou o culto aos antigos deuses e Tebas voltou a ser capital do reino. Porém, o jovem rei era praticamente um refém de Ay, um alto funcionário da corte que serviu a vários faraós.


Ambicioso, muitos estudiosos atribuem que Ay possa ter assassinado o faraó Tutancâmon. De qualquer forma, era ele quem controlava a entrada de pessoas ao palácio real e influenciava o faraó para tomar qualquer decisão importante.


Remover anúncios


Depois da morte de Tutancâmon, Ay se casou com a viúva deste, Anchesenamon, a fim de se legitimar no trono. Também acredita-se que ela tenha sido morta por ele meses depois.


Veja também: Faraó


Contexto Histórico


O reinado do faraó Aquenatón foi marcado por um fato sem precedentes na Antiguidade: a tentativa de instauração do monoteísmo dentro de uma cultura profundamente politeísta.


O faraó transferiu a capital do Reino para Amarna onde rendia culto ao novo deus juntamente com sua família. Esta experiência durou dez anos e acabou por trazer perturbações sociais e políticas em todo reino egípcio.


A numerosa classe sacerdotal não viu com bons olhos o fechamento dos templos e a perda de seus privilégios. Igualmente, o povo simples, não gostou da mudança de cultuar somente um único deus.


Após a morte do faraó Aquenatón, o antigo culto aos deuses foi restaurado por seu filho e sucessor Tutancâmon.


Posteriormente, Aquenatón seria considerado um herege pelos seus sucessores. Desta maneira, o seu nome e o de sua família foi apagado da lista de faraós egípcios.


Remover anúncios


Leia mais sobre o Egito Antigo.


Descoberta da Tumba e Múmia


Tutancâmon reinou apenas nove anos durante uma época turbulenta. No entanto, a descoberta do seu túmulo praticamente intacto no ano de 1922, graças ao arqueólogo britânico Howard Carter, restaurou seu nome na história do Antigo Egito.


Isolada no Vale do Reis, o túmulo do faraó Tutancâmon escapou do saque dos ladrões. Por isso deixou para os egiptólogos um tesouro incomparável que permitiu reescrever esta parte da história egípcia.


Os egípcios da Antiguidade acreditavam que após a morte, a vida continuava junto aos deuses. Assim deveriam ir preparados levando alimentos, bebidas, móveis, tecidos e tudo mais que fosse necessário para serem bem-recebidos.


No entanto, os ladrões assaltavam os túmulos e os despojavam de suas riquezas ignorando o castigo do além. A tumba do faraó Tutancâmon ficou intacta permitindo aos historiadores uma fonte de documentos inéditos.


A máscara mortuária do faraó, feita de ouro maciço, é uma das imagens mais conhecidas do Egito Antigo, tanto pela sua beleza quanto por sua perfeição.



Guerra de Troia: o que foi, a duração e quem venceu (resumo)


A Guerra de Troia é uma narrativa mitológica, conhecida através dos poemas de Homero, Ilíada e Odisseia.


Os antigos gregos acreditavam na existência de um grande conflito bélico entre as cidades-estado da Grécia e a cidade de Troia, também conhecida pelos gregos pelo nome de Ílion, e situada na região da Ásia Menor.


Esta guerra teria ocorrido entre 1300 e 1200 a.C., no final da Idade do Bronze, sendo os gregos os vencedores.


Se a Guerra de Troia de fato aconteceu ou era apenas um ciclo de lendas mitológicas são questões que dividem opiniões.


Mapa situando as terras da Grécia e de TroiaCausa da Guerra de Troia


O motivo para a guerra seria o rapto da rainha Helena, de Esparta, por Páris, príncipe de Troia.


Na mitologia grega, Helena, filha da rainha Leda com o deus Zeus, era a mulher mais bela do mundo. Páris teria conquistado o amor de Helena graças à influência de Afrodite, deusa do amor e da beleza.


A situação enfureceu o rei espartano, Menelau, esposo de Helena, que ordenou o cerco a Troia.


Menelau convenceu o irmão, Agamenon, rei de Micenas, a liderar a empreitada para recuperar a rainha.


Em companhia de Menelau, participaram da investida Aquiles, Ulisses, Nestor e Ajax, que foram apoiados por uma frota de mil navios.


Após atravessar o mar Egeu, os gregos sitiaram Troia por dez anos sem, contudo, conseguir avançar sobre as muralhas da cidade.


O mito do Cavalo de Troia e o fim da guerraIlustração com a representação do cavalo de Troia


O fim da guerra ocorreu a partir de uma estratégia inusitada ao território inimigo. Liderados por Ulisses, os gregos construíram um imenso cavalo de madeira.


Ofereceram o cavalo como presente de paz aos troianos, enquanto se afastavam da praia em seus barcos. No entanto, no interior do cavalo estava a elite dos soldados gregos.


A oferta de paz foi aceita pelos troianos, que abriram os portões da cidade e trouxeram o "presente" para dentro de suas muralhas.


À noite, contudo, o destacamento escondido dentro do cavalo saiu e abriu os portões para as tropas que esperavam do lado de fora.


Os gregos destruíram a cidade, se proclamaram vencedores e puseram fim a dez anos de conflito. O episódio deu lugar à expressão "presente de grego".


Páris é morto e a rainha Helena volta ao lado de Menelau para Esparta.


A volta de Ulisses, um dos mais brilhantes estrategistas gregos, foi bastante acidentada e suas aventuras foram narradas na Odisseia. Ali, ele relembra vários episódios do conflito.


Ilíada e Odisseia


É por meio poemas épicos Ilíada e Odisseia que a narrativa da Guerra de Troia chegou aos nossos dias.


A Ilíada conta um período de cerca de cinquenta dias no último ano da Guerra de Troia, centrando-se no herói Aquiles. Por sua vez, a Odisseia narra a longa viagem de retorno de Odisseu, outro herói de Troia, após o fim da guerra.


Os poemas fazem uma intrincada combinação de mitos gregos, onde cada personagem e episódio tem relação com eventos anteriores, com os deuses do Olimpo interferindo no rumo dos acontecimentos.


As pesquisas indicam que ambos teriam sido escritas no século VIII a.C. São consideradas as obras literárias mais antigas do mundo ocidental a terem remanescido de forma completa até os tempos modernos.


As obras fazem parte do Ciclo Épico, conjunto de oito obras com narrativas sobre a Guerra de Troia, do qual seis se perderam.


A Ilíada conta com cerca de 15.693 versos e a Odisseia, com 12.109, todos obedecendo à métrica de versos hexâmetros. As duas obras têm enorme influência na Literatura Ocidental.


A autoria da obra, atribuída desde a Antiguidade ao poeta Homero, também é controversa. Não se sabe ao certo se Homero de fato existiu ou se representa a personificação de um estilo de narrativa.


O que se sabe é que, antes de terem se transformado em poemas escritos, os versos da Ilíada e da Odisseia circulavam através da tradição oral. Antes do aparecimento da escrita entre aquele povo, os aedos, poetas da Antiga Grécia, recitavam seus versos de cor em reuniões públicas. É possível que Homero tenha sido um destes aedos.


O imaginário em torno da Guerra de Troia também inspirou o poeta romano Virgílio a escrever o poema épico Eneida, no século I a.C.


Quem foi Aquiles


Aquiles é o personagem principal da Ilíada. Na mitologia grega, Aquiles é um semideus eleito para morrer ainda jovem na batalha.


Temendo seu destino, Tétis, a ninfa mãe de Aquiles, o mergulhou ainda bebê nas águas do rio Estige, também chamado de rio infernal, para torná-lo invencível.


O banho, contudo, não foi completo e o calcanhar de Aquiles, justamente onde a mãe o segurou, não foi tocado pela água. Essa é a origem da expressão "calcanhar de Aquiles", porque indica o ponto mais frágil de uma pessoa.


Escultura de Aquiles morrendo, por Christophe Veyrier e Miguel José Joseph (1683)


Tétis ainda tentou outra forma de preservar a vida do filho e o criou como menina. A estratégia não correu bem e Ulisses, quando toma conhecimento que só com a ajuda de Aquiles conseguira vencer a guerra, o identifica entre as mulheres da ilha de Ciros.


Como afirmava a profecia, Aquiles morre jovem na batalha ao ser atingido por uma flecha envenenada no calcanhar. Não morre sem antes demonstrar ser um valente e fiel guerreiro, como narram os relatos de Homero.


A Guerra de Troia realmente aconteceu?


Ao longo de séculos, alimentou-se uma grande controvérsia se a narrativa da Guerra de Troia era puramente mitológica ou se tinha bases históricas comprováveis.


Escavações arqueológicas desenvolvidas a partir de 1873 encontraram evidências de que Troia de fato existiu. A cidade localizava-se na região de Hisarlik (na atual Turquia), próximo ao Estreito de Dardanelo, ligação entre o Mar Egeu e o Mar de Mármara. Evidências comprovam que a região foi habitada sucessivamente por cerca de 4000 mil anos.


Contudo, embora as ruínas de Troia tenham sido descobertas, ainda permanece em debate se teria de fato ocorrido um grande confronto entre gregos e troianos, como aquele descrito na Ilíada.


A falta de qualquer fonte histórica hitita, povo que habitava aquele território, também põe em xeque o argumento de uma grande guerra como causadora da destruição de Troia.


Assim, a historicidade da Guerra de Troia segue dividindo opiniões.


Leia também:


Período Pré-HoméricoAquilesIlíadaOdisseiaDeusa Afrodite


Referências Bibliográficas


MARTINS, Kim. A Descoberta de Troia. Tradução de Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, 22 de março de 2023. Disponível em: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2196/a-descoberta-de-troia/ (acesso em 05/04/2024).


A Guerra de Troia existiu mesmo ou é um mito exagerado pelas narrativas épicas? Revista BBC History, 16 julho 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44816035 (acesso em 05/04/2024).



Tupac Amaru II


Tupac Amaru II foi um revolucionário peruano cuja trajetória interferiu diretamente no processo de independência da América espanhola.


Foi o último rei da dinastia real Inca. Nasceu em 1738, em Cuzco, e foi assassinado em 1781, após o fracasso na insurreição contra os espanhóis.


O último rei inca é descrito com um homem elegante, carismático, e culto. Educado por jesuítas, ainda é considerado um símbolo da revolta indígena. No século XX, inspirou revolucionários, como o próprio Che Guevara.


Pintura a óleo de Tupac Amaru II


Biografia


Tupac Amaru II tinha grande prestígio entre indígenas e, também entre os espanhóis. Tanto, que recebeu o título de Marquês de Oropesa. Educado no colégio de San Bernardo de Cuzco, tornou-se chefe de Tungasuca, Surimana e Pampamarca.


Homem rico, possuía um grande plantel de mulas e lhamas, utilizadas para fazer o transporte entre as cidades. E foi a discordância do sistema de impostos espanhol que influenciou, em 1780, a primeira rebelião liderada por Tupac Amaru II.


Para os mestiços e os demais moradores das colônias de Espanha, os corregedores pesavam na cobrança dos tributos e eram injustos na distribuição de bens e serviços.


Os sistemas, denominados mitas e obrajes, instituídos pela monarquia espanhola geraram descontentamento. Nesses sistemas, os indígenas e mestiços trabalhavam em regime de semi-escravidão.


Como forma de irrigar os cofres públicos, a coroa espanhola reformou o sistema de arrecadação de impostos entre 1776 e 1787. O novo sistema elevava o recolhimento de tributos nos portos ligados à Espanha, mas acabou por empobrecer as demais regiões, como o Peru.


As cidades, que passavam por elevado crescimento, tiveram que enfrentar uma crise econômica acentuada devido à estagnação da indústria, à redução da circulação de dinheiro e, ainda, à queda do poder aquisitivo resultante pesada carga tributária.


O impacto direto, considerado o motor da revolta contra a Espanha, estava nas classes mais pobres, que foram punidas com extrema violência. Os revoltosos foram considerados desleais com o rei de Espanha, Carlos III.


Além da violência, os indígenas tiveram que atuar mais no sistema de mitas, que consistia em trabalhos forçados nas minas de prata em troca da liberdade.


Mesmo com a carga horária além do limite, a coroa exigiu maior participação nas mitas para a construção de casas, prédios públicos e o cultivo de coca e vinha.


Obrigados a deslocar-se das montanhas para as planícies, os indígenas passaram por um processo denominado "agressão climática" e muitos morreram em consequência de doenças e dos castigos corporais.


O contexto foi levado pelo próprio Tupac Amaru II para os representantes da coroa em 1776. As queixas não foram aceitas e, em 1778, ocorreu o primeiro levante contra o sistema de mitas, que foi sufocado.


Na continuação do sistema, em 10 de novembro de 1780, o prefeito Antonio Arriaga foi preso e executado pelas ordens do próprio Tupac Amaru II. Como resposta, 1,2 mil homens foram enviados para Cuzco, o líder ainda teria tentado negociar a rendição da cidade.


A revolta, porém, já havia se espalhado e chegava à Argentina, atingindo 60 mil índios. Foi este o último grande massacre espanhol antes do processo final de independência. O suporte espanhol foi de 17 mil soldados, melhor equipados e com um preparo bélico superior aos indígenas.


Os homens de Tupac Amaru II foram derrotados em 6 de abril de 1781. O líder foi traído pelo criollo Francisco Santa Cruz, que informou seu paradeiro e da família. Assim, no dia 18 de maio daquele nano, o líder assistiu à execução de sua família e, em seguida, foi assassinado.


O líder indígena teve a língua cortada e seus membros foram amarrados a quatro cavalos que seguiram em direções opostas. Como a morte demorou em demasiado, o carrasco ordenou que a cabeça fosse cortada.


Hoje, Tupac Amaru II é lembrado como o líder que deu início ao processo de independência do Peru e, com ela, de toda a América espanhola. Foi considerado de política plural, unindo índios, mestiços, criollos e, até, mesmo espanhóis na causa da emancipação.


Movimento Revolucionário Tupac Amaru


O MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru) foi fundado em 1982, no Peru, e teve com inspiração Tupac Amaru. De extrema esquerda, esse movimento armado promovia assaltos e sequestrava pessoas ricas para pedir resgate e financiar suas atividades.


Tinha representantes na Bolívia, Equador e Chile. Entre seus feitos mais lembrados está o sequestro do embaixador japonês no Chile. O diplomata foi retido em casa juntamente com 490 reféns, entre juízes, políticos, e empresários.


O sequestro durou 126 dias e tinha com o objetivo a libertação de 442 presos políticos peruanos. Os 14 integrantes do movimento foram assassinados sob o comando do presidente Alberto Fujimori em 22 de abril de 1997.


Reféns do grupo informaram à imprensa que muitos tentaram se render, mas foram mortos da mesma maneira. A ação recebeu severas críticas da comunidade internacional.



Amonitas


Os amonitas, amoritas, amom ou filhos de amom correspondem a uma das antigas civilizações que habitaram a região da Mesopotâmia.


Povo semita, os amonitas eram guerreiros e conhecidos por serem cruéis e praticaram atos de barbárie. A principal cidade dessa civilização era Raba Amom (atual capital da Jordânia), daí o nome do povo.


Remover anúncios


Além deles, diversos povos mesopotâmicos habitaram a região: sumérios, acádios, assírios, hititas e caldeus.


Origem


Provavelmente os amonitas migraram do deserto da Arábia cerca de 2000 a.C., se estabelecendo na cidade da Babilônia.


História


Desde que chegaram na Babilônia, os amonitas conquistaram diversas regiões do Golfo Pérsico até o norte da Assíria (atual Jordânia e Palestina).


Sob o comando do rei Hamurabi (1728-1686 a.C.) eles dominaram grande parte da região e fundaram o "Primeiro Império Babilônico". A sociedade escravocrata era comandada por um líder, sendo os cargos hereditários.


Aos poucos, Hamurabi conseguiu unificar toda a região conquistada, estabelecendo o que ficou conhecido como "Código de Hamurabi" um conjunto de leis de cunho social e econômico que incluía a punição dos cidadãos.


Esse rígido código de conduta está fundamentado no famoso ditado “olho por olho, dente por dente”, que segundo a ação, o acusado é merecedor de um castigo contíguo.


O declínio dessa civilização se deu com a invasão de outros povos da mesopotâmia denominados de casitas e hititas. Esses últimos possuíam diversas armas de ferro e ainda, cavalos.


Moabitas


Segundo a Bíblia, tanto os Amonitas quanto os Moabitas são descendentes de Ló. Ambas tiveram uma relação incestuosa com o pai, nascendo os filhos: Moabe e Ben-Ami.



Gregos


Os gregos foram um dos povos mais importantes da Antiguidade e sua civilização influenciou todo o Ocidente.


Desenvolveram formas de filosofia, política, arte e esportes, que são utilizados até hoje.


Seu território ocupava o continente europeu e quase 1000 ilhas espalhadas pelo Mar Mediterrâneo.


Povos gregos


Os gregos estavam constituídos de vários povos como os aqueus, jônios, dóricos, tribos áticas, etc.


Consideravam que seu herói fundador era Heleno, um adivinho que é retratado na obra "Odisseia" e chamavam a si mesmo de “helenos”. Este também era o nome de uma aldeia situada no noroeste da atual Grécia.


A palavra “Grécia” foi empregada pelos romanos e significa “terra dos gregos”.


Deuses gregos


Os habitantes da Grécia antiga eram politeístas e cultuavam vários deuses, semideuses e heróis.


A religião cumpria o papel de unificar os diferentes povoados e tinha como objetivo formar moralmente a sociedade. As lendas dos deuses serviam para ensinar valores aos cidadãos e garantir o bom funcionamento da polis.


Cada tribo afirmava que havia sido fundada por um herói mítico e as festas dedicadas às divindades eram um importante acontecimento social.


Os principais deuses gregos eram os 12 que moravam no monte Olimpo: Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio.


História da Grécia Antiga


Para fins de estudo, dividimos a história da Grécia Antiga em quatro períodos:


Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.)Homérico (séculos XII - VIII a.C.)Arcaico (séculos VIII - VI a.C.)Clássico (séculos V - IV a.C.)


Durante o período Arcaico observamos o surgimento das cidades-estados gregas, o desenvolvimento da filosofia e da arte grega que tanto influenciariam o mundo ocidental.


Cidades gregas


Cada cidade grega possuía seu próprio sistema político e por isso foram chamadas de cidades-estado.


Enquanto verificamos em Atenas o início da democracia, onde os cidadãos podiam participar da política; em Esparta, por outro lado, vemos maior centralização do governo.


No entanto, as cidades-estados fazem alianças com outras cidades em caso de guerra. Quando deviam enfrentar um inimigo comum, como foi o caso dos persas, as cidades gregas se uniam.


Veja também: Esparta e Atenas


Cultura grega


Os gregos gostavam de teatro, poesia, música e dança.


As peças teatrais tinham uma função religiosa, pois eram encenadas durante as festas ao deus Dionísio. Da mesma forma, cumpriam um papel moral, porque sempre passavam uma lição para os espectadores.


Da mesma forma apreciavam a poesia épica, cantada pelos poetas, que se baseavam em obras como a "Odisseia" e a "Ilíada". Estas eram recitadas nas festas domésticas ou públicas.


Os instrumentos musicais gregos mais comuns eram a lira, indispensável para recitar os poemas, e flautas de diferentes tamanhos. A música grega chegou até os dias atuais através dos modos das escalas musicais que os gregos utilizavam.


Sociedade grega


Embora houvesse diferenças em cada uma das cidades-estado, a sociedade grega era dividida em homens livres, estrangeiros e escravos.


As mulheres não eram consideradas nesta contagem, pois mesmo se tivessem liberdade, não possuíam direitos políticos.


Cidadãos


A sociedade grega era encabeçada pelos cidadãos nascidos na cidade. Em Atenas, por exemplo, independente da quantidade de dinheiro, todo cidadão podia intervir nos assuntos da cidade-estado.


Os cidadãos se reuniam na ágora para aprovar leis, julgar os delitos e decidir a guerra.


Veja também: Democracia ateniense


Escravos


Os seres humanos eram escravizados durante as guerras ou para saldar alguma dívida. Eram empregados em diversas tarefas, tanto nas domésticas como no comércio e agricultura.


Calcula-se que 40% da população de Atenas era composta de escravos que exerciam profissões qualificadas como professores, médicos, pintores, escribas, secretários particulares e muito mais.


Estrangeiros


Como cada cidade-estado era independente, o estrangeiro poderia ser alguém da cidade vizinha. Não possuíam direitos políticos, nem terras e,por isso, dedicavam-se ao comércio e à produção de bens.


Mulheres


As mulheres casavam-se aos 15 anos, numa cerimônia doméstica, diante do altar familiar. A mulher se ocupava dos escravos, dos filhos e tecia as roupas necessárias para todos na casa.


Diferenças sociais


A divisão social ficava clara durante a guerra. Os ricos combatiam na cavalaria, pois tinham condições para manter o animal.


Aqueles que não tinham meios, ingressavam na infantaria e lutavam a pé, armados de lança, capacete e escudo; enquanto os pobres e condenados, remavam nas galeras dos barcos.


Economia grega


As grandes cidades, como Atenas e Esparta, tinham sua própria moeda.


Atenas aproveitou as minas de prata da região de Laurion para cunhar sua moeda, que será a mais valiosa da região. Desta maneira foi possível sustentar guerras com seus vizinhos.


A agricultura constituía no cultivo de uvas, para a fabricação do vinho; olivas, de onde se extraía o azeite e grãos para o pão, como a cevada e o trigo. Muitos desses produtos eram exportados para outras localidades ao longo do Mediterrâneo.


Existiam artesãos especializados em fabricar produtos em cerâmica, couro e metais.


Temos mais textos sobre os gregos para você:


Período Pré-HoméricoPeriodo ArcaicoAqueusDeuses do Olimpo



Dórios


Os dórios ou dóricos são um dos povos indo-europeus da antiguidade que contribuíram para o desenvolvimento da cultura grega, ao invadirem o território da hélade.


Além deles, os aqueus, jônios e eólios foram outros grupos étnicos responsáveis pela produção da cultura grega. Na “Odisseia” uma das principias obras do escritor grego Homero, eles são mencionados como “dóricos”.


Remover anúncios


Resumo


Por volta de 1200 a.C., os dórios habitaram diversas regiões da Grécia que, aos poucos foram conquistando, nas regiões da Ática, Peloponeso, Ilha de Creta. Os dórios tinham uma cultura e um dialeto próprios, embora não dominasses a escrita.


Com forte característica militar, eles chegaram a dominar diversas partes de maneira violenta, destruindo e incendiando cidades da cultura micênica ao matarem diversas pessoas.


Isso propiciou a miscigenação dos povos e a mescla de culturas das civilizações que já existiam na região: aqueus, jônios e os eólios.


Muitas cidades foram fundadas pelos dórios as quais se transformaram em importantes núcleos urbanos: Argos, Corinto, Mégara e Rodes. No entanto, a maneira belicosa dos dórios fez com que a cultura grega atingisse tal retrocesso e por esse motivo, o período ficou conhecido como “Idade das Trevas” na Grécia.


Como consequência da invasão dórica, diversas pessoas se dispersaram e fugiram para outros locais. Esse movimento ficou conhecido como “Primeira Diáspora Grega”. Isso possibilitou a criação de diversas cidades-estado e uma nova organização na estrutura social que, mais tarde, seria comandada pelos Genos (unidades familiares).


Vale lembrar que grande parte dos espartanos que viviam em Esparta eram de origem dórica, o que explica o caráter belicoso da sociedade espartana. Esse ataque truculento, pôs era fim ao período pré-homérico da história grega.



Hititas


Os hititas ou a civilização hitita representa um dos povos que viveram na Antiguidade.


Ainda que seja pouco conhecida, a civilização hitita foi umas das maiores da antiguidade, ao lado dos egípcios. Eles são citados diversas vezes na Bíblia (Antigo Testamento) e na obra “Odisseia” de Homero.


Principais Características dos HititasOrigem


Oriundos da região do Cáucaso, os hititas representam um povo indo-europeu que viveu numa região próxima ao mar morto durante o período de 1600 a.C. a 1200 a.C., quando, por fim, foram dominados pelos assírios, uma vez que estes apresentavam maior poder e avançada tecnologia militar.


Remover anúncios


Localização Geográfica


O império hitita estava localizado na península da Anatólia (atual Turquia, Síria e Líbano). A capital do império hitita era Hattusa, localizada na Ásia Central. No fim do império, Hattusa foi invadida, saqueada e queimada.


Sociedade


O império hitita representou uma das grandes civilizações da humanidade, os quais eram comandados por um rei soberano. Para eles, o rei era considerado uma entidade divina e quando ele morria, se tornava um Deus. Tanto os escravos quanto as mulheres possuíam alguma liberdade.


Religião


Conhecida como “a religião dos mil deuses”, a religião dos hititas era baseada no Politeísmo, ou seja, a crença em diversas divindades, das quais estavam relacionadas, sobretudo, com os elementos da natureza.


Economia


As principais atividades econômicas dos hititas eram a agricultura, a mineração e comércio. Eles foram os pioneiros nos usos do ferro, apresentando técnicas de metalurgia avançadas para a época.


Cultura e Arte


Sem dúvida o império hitita prosperou com a presença de diversas cidades-estados amuralhadas que apresentavam uma elaborada arquitetura (templos, palácios, habitações, etc.).


Remover anúncios


Grande parte das esculturas hititas estavam relacionadas com os animais, os quais protegiam as portas das cidades.


Influenciada pela cultura babilônica, a arte hitita estava associada aos diversos rituais religiosos, sendo o artesanato uma das importantes atividades dessa civilização.


Quando falamos de cultura hitita é importante destacar, ainda, a escrita cuneiforme encontrada em diversas placas de argilas. Eles escreviam sobre diversos temas, desde religião, literatura e história.


Além da escrita cuneiforme, foram encontradas placas com uma escrita pictográfica, ou seja, baseada em figuras. Vale notar que a língua dos hititas, o mais antigo idioma indo-europeu, deu origem a muitos outros na Europa e na Ásia.


Batalha de Kadesh


A Batalha de Kadesh foi travada por volta do ano de 1274 a.C. entre os egípcios, liderada por Ramsés II, e os hititas, liderados pelo rei Muwatali.


Ela começou por conta da ânsia egípcia pela conquista de territórios, no entanto, teve a vitória dos hititas. Ainda que alguns historiadores acreditam que não teve um vencedor, após essa batalha foi assinado um tratado de paz entre os povos, possivelmente o primeiro tratado internacional de paz.



Jônios


Os jônios, jônicos ou iônios são um dos povos da antiguidade que auxiliaram na formação da cultura grega (ciência, filosofia e arte).


Além deles, os aqueus, os eólios e os dórios tiveram um papel preponderante na construção do mundo grego na antiguidade.


História


Os Jônios chegaram no território grego por volta de 2000 a. C. habitando parte do Peloponeso e da Ática, alterando assim, toda a estrutura estabelecida por outros povos. Com forte tradição militar, eles ocuparam diversas regiões da Hélade de maneira violenta.


Remover anúncios


Dentro de uma sociedade belicosa e hierárquica, os jônios foram responsáveis pela escravização de diversas pessoas que habitavam o local, sobretudo dos aqueus e eólios.


Com a expansão da civilização jônica, diversas construções foram erigidas desde templos, muralhas e palácios, marcando definitivamente sua presença no território.


Como passar do tempo e a fundação de diversas cidades, eles formaram a “liga jônica”, a qual era composta de doze cidades: Éfeso, Samos, Priene, Colofón, Clazómenas, Quios, Mileto, Teos, Mionto, Lebedos, Foceia e Eritras.


Com a chegada dos dórios no Peloponeso, no final do período pré-homérico, os jônios migraram para a região da Ásia menor, habitando parte do local.


Aprofunde seus conhecimentos no assunto, com a leitura dos textos:


Grécia AntigaPeríodo Pré-HoméricoDórios



Aqueus




Os aqueus representam uma das civilizações antigas que viveram na Idade Bronze. Foram responsáveis por parte da colonização da Grécia Antiga, sendo um dos primeiros a habitarem a região do Peloponeso.


Por volta de 2000 a.C. os aqueus migraram para regiões próximas ao Mar Mediterrâneo. De origem indo-europeia, eram um povo nômade em busca de terras férteis.


Remover anúncios


Os aqueus designavam uma civilização guerreira que acabou por dominar os povos que ali viviam, chamados de pelasgos. Assim, se fixaram na região e fundaram diversas cidades das quais se destaca Micenas e, por isso, ficaram conhecidos como Micênicos.


Além dela, Tirinto e Argos foram importantes núcleos urbanos, econômicos e políticos. Uma das características dessa civilização era a forte tendência ao comércio, o que permitiu que dominassem economicamente a região do Mediterrâneo Oriental. Nessa época, foram edificados diversos palácios, templos e fortalezas.


Por conseguinte, chegaram a Creta e dominaram a civilização que lá vivia: os cretenses. Com esse contato, a cultura micênica acabou por absorver diversos aspectos dos habitantes de Creta, formando uma cultura que ficou conhecida por "Micênica-Cretense". Mais tarde, eles enfrentaram os troianos na Guerra de Troia.


Além dos aqueus, diversos povos indo-europeus invadiram as regiões gregas, como os eólios, os jônios e os dórios, que resultaram na mescla de etnias e culturas.



Nero


Nero Cláudio César Augusto Germânico (37-68 d.C.), nascido Lúcio Domício Enobarbo, foi o quinto imperador de Roma, último da dinastia júlio-claudiana, entre os anos de 54 e 68 d.C.


Foi um jovem e excêntrico imperador, governando o Império Romano dos 16 aos 30 anos.


Durante esse curto período, dedicou-se à política, mas também foi um profundo admirador da música, do circo, do teatro e do esporte. Julgava-se um excelente cantor e poeta, disputou e "venceu", ou melhor, se declarou vencedor das olimpíadas.


Remover anúncios


Foi acusado da morte de seu irmão, sua mãe, de duas esposas, uma estando grávida, e de um grande número de opositores.


Ficou conhecido também por ser responsável pelo Grande Incêndio de Roma, mas ainda hoje discute-se sobre a sua real causa. Uma das maiores personalidades da história da humanidade, sua figura ainda hoje é tema de debate, fonte de algumas incertezas e ambiguidades.


Isso se dá porque a maioria dos relatos de sua época foram perdidos e a maior parte da documentação preservada são posteriores ao seu mandato, contando com uma forte oposição ao seu governo.


Assim, se coloca em questão a veracidade dos eventos relatados e a narrativa construída, desde então, acerca de Nero. É certo que ele foi severo com seus opositores, ordenando diversas execuções.


Boa parte do que se sabe ainda hoje sobre o jovem imperador romano, compreendido como demoníaco, considerado por muitos como o "anticristo", é uma interpretação com base em historiadores que eram seus opositores.


A verdade sobre Nero permanece como um mistério, muito difícil de ser revelada, repleta de contradições, mas que movimenta muitas pesquisas atualmente.


A ascensão de Nero ao poder


Nero era sobrinho do Imperador Cláudio e este casou-se com sua mãe, Agripina e o adotou como filho, transformando-o no sucessor direto ao trono por ser mais velho que seu meio-irmão, Britânico. Foi educado e recebeu o auxílio de seu preceptor, o filósofo Sêneca.


Há indícios de que sua mãe tenha planejado o assassinato de Cláudio para facilitar a chegada ao poder de Nero.


Remover anúncios


Com a morte de Cláudio, Nero, aos 14 anos, foi declarado o sucessor do trono, mas como era jovem demais, deveria esperar até estar formado. Aos 16 anos foi nomeado César (em latim cæsar), nome dado ao imperador romano. Nero foi o quinto césar, o último da dinastia júlio-claudiana.


Em 54 d.C., o imperador Nero, apoiado por sua mãe e Sêneca, conseguiu estabelecer alguns anos de paz, diminuiu a atividade bélica. Os primeiros anos de sua administração foram marcados pela prosperidade dos territórios dominados e consideráveis avanços administrativos no que diz respeito às decisões políticas.


Os anos do Império de Nero


Ele pregava uma separação bem definida entre sua vida particular e sua atuação como político. Essa divisão agradou parte do Senado e possibilitou ao imperador desenvolver seus interesses pessoais, em extensos banquetes públicos e em suas atividades como cantor, músico lirista, com sua poesia ou em corridas de bigas.


Busto de Nero, Museu Palatino em Roma


Nero proibiu as lutas com morte e em contra-partida, estimulou as atividades no circo e as competições atléticas. Ele também permitiu que os escravos denunciassem as injustiças cometidas por seus senhores.


Entretanto, seu irmão Britânico, possuía o apoio de parte do senado e era uma ameaça a seu governo. No dia antes de Britânico atingir a maioridade, faleceu em decorrência de um ataque epilético suspeito.


Os historiadores romanos Tácito e Dião Cássio afirmam que Nero e sua mãe conspiraram e envenenaram seu meio-irmão para garantir seu poder.


Esse episódio marca o fim do período pacífico e início de uma mudança no governo de Nero, fundamentado na sua desconfiança de tudo e de todos, inclusive de sua mãe, com quem tinha uma relação conflituosa.


Segundo os relatos da época, Agripina, mãe de Nero era uma mulher poderosa e controladora. Foi acusado de ter relações incestuosas com sua mãe. Em 59 d.C, o imperador enviou assassinos para executá-la, sob suspeita de que teria conspirado contra seu governo.


A vida afetiva de Nero também foi muito conturbada. O imperador casou-se quatro vezes. Sua primeira esposa, Cláudia Otávia, era sua meia-irmã, irmã de Britânico. O casamento não durou muito. Nero engravidou Popeia Sabina, em uma relação extra conjugal, divorciou-se de Cláudia Otávia e baniu-a de Roma.


O banimento de sua primeira esposa, querida pelo povo romano, gerou inúmeros protestos, Nero percebeu que a situação causava instabilidade e ordenou que a matassem fazendo parecer uma morte natural.


Casou-se com Popeia e ela gerou sua única filha, mas a criança morreu com apenas 4 meses de vida e recebeu o título de augusta, uma grande honraria do império romano.


Em 63, Popeia Sabina estava grávida novamente e, segundo relatos de seus opositores, em uma discussão, foi agredida por Nero com chutes na barriga e acabou morrendo em decorrência da agressão.


Os historiadores modernos propõem que a morte teria sido causada por complicações no parto ou por um aborto espontâneo. Há relatos de que Nero não cremou sua esposa, como era o costume, rendeu-lhe honrarias divinas, queimou incenso e embalsamou-a, uma ação que seria contraditória à agressão.


Posteriormente, casou-se ainda com Estacília Messalina e também com Esporo, um escravo liberto que o imperador mandou castrar e o desposou-o. Historiadores da época relatam a semelhança de Esporo com Popeia Sabina e dizem que Nero chamava-o pelo nome da esposa morta.


O grande incêndio de Roma


Um dos episódios mais marcantes da vida de Nero foi o grande incêndio que destruiu boa parte de Roma, em 64 d.C. Esse evento, gerou diversas hipóteses e controvérsias. O incêndio tomou grandes proporções afetando dez das catorze zonas da Roma antiga.


Sobre esse evento há uma disputa entre diversas hipóteses.


Uma das narrativas disseminadas no período posterior a sua morte afirma que Nero teria colocado fogo na cidade para servir-lhe de inspiração para sua composição como artista.


Alguns relatos da época dizem que Nero estava o Imperador estava fora de Roma durante o incêndio. Outra possibilidade aponta para a vontade de Nero de reconstruir a cidade e propor um projeto urbanístico a seu modo, ou mesmo para a construção do novo palácio.


De fato, após o incêndio, Nero deu início à construção da Casa Dourada (Domus Aurea), um palácio em uma área de cerca de 2 000 000 m2, revestido de ouro, marfim e pedras preciosas. O palácio também contava com lagos artificiais, jardins e inúmeras salas para festas, atividade favorita de Nero.


Na hipótese mais aceita, os soldados romanos teriam iniciado o incêndio acidentalmente em uma perseguição aos cristãos. O próprio Imperador culpou os cristãos pelo incêndio, o que justificou uma maior perseguição.


O Grande Incêndio de Roma dá o início do declínio do governo de Nero. Após esse evento, a oposição a Nero intensificou-se, culminando em sua queda em 68 d.C.


O fim do império de Nero e sua morte


O avanço da oposição a Nero se deu por conta do aumento dos impostos no império e pela intensificação da perseguição aos cristãos.


O clima de insegurança se alastrou pelo império e acabou gerando uma reação, a partir de uma série de complôs contra o governo. Estudos recentes apontam que Nero foi mantido no poder por obter um grande apoio das camadas mais populares do povo romano.


Entretanto, sua vaidade o levou a realizar uma longa turnê pela Grécia em 67/68 d.C., para demonstrar seus dotes artísticos. O afastamento da capital do império contribuiu para a perda de apoio e possibilitou o golpe de estado.


Por fim, em 68 d.C., o Senado declarou Nero como inimigo público e escolheu Galba como seu sucessor no poder. Nero decidiu fugir de Roma, mas segundo relatos, ao ser alcançado por um soldado romano, optou por tirar a própria vida.


Após sua morte, seguiu-se um período de instabilidade no poder conhecido como "o ano dos quatro imperadores"(68-69 d.C.). Nesse período governaram o Império: Galba, Otão, Vitélio e, por fim, Vespasiano, que ficou no poder até 79 d.C.


Segundo os historiadores contemporâneos, a morte de Nero dá continuidade a sua figura dúbia. Ao que parece, a classe dos poderosos e mais algumas parcelas da população comemoraram a sua morte, enquanto uma parte das camadas mais populares sofreu por sua perda.


Por conta do intenso ataque aos cristãos, Nero ficou conhecido como o anticristo. Isso contribuiu para sua péssima fama e para a ampliação da narrativa de seus opositores, após a ascensão cristã na Europa.



domingo, 5 de outubro de 2025

Código de Hamurabi


O Código de Hamurabi é um conjunto de leis que foram criadas por volta de 1780 a.C. na Mesopotâmia.


Recebe esse nome uma vez que está associada ao sexto rei sumério, fundador do I Império Babilônico, Hamurabi.


História


Remover anúncios


Numa das colunas onde está escrito parte do Código, Hamurabi recebe o Código das mãos do deus Samas, o deus Sol e da Justiça


Quem foi Hamurabi?


Hamurabi nasceu por volta de 1810 a.C. e faleceu em 1750 a.C. Foi o sexto soberano da dinastia dos reis Babilônicos. Seu reinado durou mais de 40 anos e, apesar de suas conquistas militares, ele é lembrado pela sua interpretação de justiça que visava organizar o povo.


Igualmente, tentou instituir o culto a um único deus como forma de unificar as diferentes religiões dos seus súditos. Não foi bem-sucedido, mas ao menos estabeleceu que o deus Sol, Shamash (ou Samas) deveria ser adorado por todos.


Antes do Código de Hamurabi já existiam outros códigos na Mesopotâmia, como o Código de UR-Nammu que enfatizava a compensação pecuniária para os delitos cometidos e não a lei de talião.


Lei de Talião


A lei de talião pode ser resumida no famoso versículo encontrado no Livro de Levítico “olho por olho, dente por dente”. Isto quer dizer que todo crime cometido teria uma punição proporcional.


Embora seja considerada no século XXI como uma lei primitiva ou exagerada, o certo é que esta lei pode ser considerada um avanço dentro do seu contexto histórico.


Remover anúncios


Antes dela, a vítima podia realizar sua vingança pessoalmente e da maneira que bem entendesse. Com a lei de talião, a pena deveria ser adequada ao crime e executada por uma instituição específica.


Características


No Código de Hamurabi, as leis não eram equitativas, pois a aplicação variava se o indivíduo era livre, escravo ou servo, homem ou mulher.


Com o intuito de implementar a justiça, o código jurídico foi também utilizado na Grécia e Roma Antiga. Até os dias atuais elas servem como inspiração para a elaboração dos direitos, deveres e obrigações dos cidadãos.


No epílogo da obra, podemos conferir as palavras do rei:


“Para que o forte não prejudique o mais fraco, afim de proteger as viúvas e os órfãos, ergui a Babilônia...para falar de justiça a toda a terra, para resolver todas as disputas e sanar todos os ferimentos, elaborei estas palavras preciosas...”


Leis do Código de Hamurabi: Resumo


O Código de Hamurabi foi talhado numa grande rocha de diorito de 2,25 metros de altura, 1,60 metros de circunferência na parte superior e 1,90 metros na base.


Foi formado por 282 leis da antiga Babilônia dispostas em 46 colunas com cerca de 3600 linhas em escrita cuneiforme acádia.


Foi encontrado por arqueólogos franceses no início do século XX, na cidade de Susa, Irã, e traduzido para diversas línguas.


Atualmente, o original está no Museu do Louvre, em Paris.


Detalhe do Código de Hamurabi


O texto trata de diversos assuntos como: classes sociais, comércio, propriedade, família, trabalho, roubo, lei do talião (olho por olho, dente por dente), estupro, pena de morte, etc.


Confira abaixo os temas dos artigos:


I - Sortilégios, juízo de deus, falso testemunho, prevaricação de juízes;


II - Crimes de furto e de roubo, reivindicação de móveis;


III - Direitos e deveres dos oficiais, dos gregários e dos vassalos em geral, organização do benefício;


IV - Locações e regime geral dos fundos rústicos, mútuo, locação de casas, dação em pagamento;


V - Relações entre comerciantes e comissionários;


VI - Regulamento das tabernas (taberneiros prepostos, polícia, penas e tarifas);


VII - Obrigações (contratos de transporte, mútuo) processo executivo e servidão por dívidas;


VIII - Contratos de depósito;


IX - Injúria e difamação;


X - Matrimônio e família, delitos contra a ordem da família, contribuições e doações nupciais, sucessão;


XI - Adoção, ofensas aos pais, substituição de criança;


XII - Delitos e penas (lesões corporais, talião, indenização e composição);


XIII - Médicos e veterinários; arquitetos e bateleiros (salários, honorários e responsabilidade) choque de embarcações;


XIV - Sequestro, locações de animais, lavradores de campo, pastores, operários. Danos, furtos de arneses, d'água, de escravos (ação redibitória, responsabilidade por evicção, disciplina).


Veja aqui Código de Hamurabi completo em pdf.


CuriosidadesO código de Hamurabi é um dos documentos jurídicos mais antigos relacionados com os direitos humanos.Não há evidências documentais que afirmem que o código foi aplicado, mas com certeza ele foi copiado e estudado pelas gerações posteriores.Dentre as leis mais estranhas encontramos no código a que ditava o afogamento do cervejeiro em sua própria bebida, se ela fosse ruim.



Guerras Púnicas



Guerras Púnicas é o nome dado a três guerras travadas entre Cartago – cidade localizada no norte da África e Roma, entre os anos 264 a.C e 146 a.C..


Cartago detinha o monopólio comercial marítimo, enquanto Roma almejava o expansionismo. Ambas lutaram pelo domínio da região do Mar Mediterrâneo.


Púnico era o nome dado ao cartaginense pelos romanos, por isso, as guerras recebem esse nome.


Remover anúncios


Causas


O Mar Mediterrâneo era dominado pelos grandes navegadores fenícios, povo que tinha o comércio marítimo como principal atividade econômica. Após a conquista da Fenícia o seu povo fugiu e fundou Cartago que, então dominava o Mar Mediterrâneo e territórios próximos à Península Itálica.


Roma, que dominava a Península Itálica, almejava agora o Mar Mediterrâneo e o controle do seu comércio.


Leia também: Fenícios.


Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.)


Inicialmente, Roma e Cartago mantinham boas relações comerciais e eram aliadas no propósito de apaziguar as relações na ilha de Sicília, que se mantinham instáveis.


A Sicília, pertencente à Siracusa, era um ponto estratégico para o desenvolvimento do comércio marítimo e era, assim, dominada por Cartago.


A Primeira Guerra Púnica tem início quando Roma, vislumbrando a possibilidade de conquistar a ilha e expandir seu território, expulsa os cartagineses que lá viviam.


Ao fim desta guerra, os cartagineses foram vencidos pelos romando e perderam o domínio das ilhas Sicília, Córsega e Sardenha. Além disso, tiveram de pagar indenizações à Roma.



Os Vikings


Os Vikings foram um povo do norte da Europa que conquistou territórios na Inglaterra e na França durante a Alta Idade Média.


Estão entre as principais referências culturais da Escandinávia e até hoje encontramos representações dos Vikings em filmes e séries de televisão.


Localização e expansão territorial


Os Vikings viviam nos atuais territórios da Groenlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia. Chamamos de “Era Viking” o período entre os anos de 800 a 1100, quando se expandiram para além destas fronteiras.


Remover anúncios


A partir do século VIII, os Vikings começaram a deixar seu território à procura de novas terras.


Invadiram e se estabeleceram principalmente na Islândia e no Reino Unido, como podemos ver no mapa abaixo:


No mapa, a expansão viking pela Europa


Os Vikings que se fixaram no norte da França foram denominados normandos e invadiram a Inglaterra no século XI. Esta dominação teve fim com o rei inglês Henrique II, em 1154.


Veja também: Escandinávia


Quem eram os vikings?


É preciso lembrar que os Vikings não eram um povo homogêneo, mas sim várias tribos e clãs que adotavam costumes e línguas semelhantes. Alguns historiadores os chamam de "povos nórdicos".


Remover anúncios


O comportamento dos Vikings no estrangeiro muitas vezes era bastante brutal e ataques como o do mosteiro Lindisfarne em 793 são citados como prova deste caráter violento.


No entanto, se comparamos com outros povos da época, veremos que eles seguiam os mesmos padrões de conduta.


Organização social viking


A sociedade viking estava organizada em estratos sociais bem definidos. No topo, estavam os grandes latifundiários, no meio estavam os fazendeiros e na base, os escravos.


Também haviam as grandes divisões entre os livres e os não-livres, os ricos e os pobres, assim como entre homens e mulheres.


Os Vikings eram comandados por um rei, no entanto, não da mesma forma que entendemos um monarca atualmente.


O direito a reinar não era hereditário e os candidatos tinham que lutar entre si para conquistar a coroa. Assim, era fundamental fazer alianças através de casamentos e reunir homens leais em torno do candidato a rei.


Guerreiro Viking durante a Idade Média com machado, espada, escudo, capacete e malha de ferro


Economia viking


A terra e agricultura tinham importância fundamental para garantir o extrato social elevado. Contudo, os Vikings também navegavam pelos mares europeus e comerciavam com povos vizinhos.


O sucesso dos Vikings no mar se explica por conta de sua experiência na construção de barcos rápidos e com boa navegabilidade. Isso levou-os à Rússia, ao Império Bizantino e até mesmo à América 500 anos antes Colombo.


Cultura viking


A arte viking era extremamente elaborada. Navegadores e guerreiros ciosos, os Vikings costumavam fazer relevos com motivos vegetais e de animais no casco dos seus barcos. As armas e capacetes também eram ricamente esculpidos com desenhos que tanto significavam o status social como proteção.


Podemos encontrar inscrições feitas com runas, o alfabeto utilizado, em pedras esculpidas, objetos do cotidiano, como exemplos da arte viking.


Igualmente, as mulheres da alta sociedade costumavam se enfeitar com joias e amuletos feitos com os mais variados materiais como ossos de animais e cascas de tartaruga.


Mitologia viking


Os Vikings, como outros povos da época, adoravam uma série de deuses relacionados aos fenômenos da natureza.


Um dos principais era Thor, possuidor de um martelo com poderes especiais. O seu culto era prestado nas florestas através de árvores como o carvalho, junto aos rios e ao mar.


Apesar do deus Thor ocupar um lugar importante no panteão nórdico, o certo é que haviam deuses específicos para cada situação da vida cotidiana.


Alguns deuses nórdicos eram:


Odin - o pai de todos, senhor da vida e da morte, da magia e da profecia.Frigga/Freya - a esposa de Odin, protetora da família, deusa da fertilidade.Thor - filho de Odin, o deus do trovão, seu símbolo era o martelo, muito cultuado na Islândia.Baldr - filho de Odin, deus da inteligência e da beleza.Valquírias - eram deusas menores encarregadas de conduzir os espíritos dos guerreiros mortos em batalha ao Valhala, onde serviriam Odin e Freya.


Atualmente, esta religião ressurge nos países escandinavos e na Grã-Bretanha.


CuriosidadesApesar de largamente difundido, não há nenhuma evidência material que os vikings usassem capacetes com chifres.Também o costume de beber vinho na caveira dos inimigos é atribuído a um erro de tradução e não corresponde à realidade.


Temos mais textos sobre o assunto para vocês:


Países NórdicosPaganismoPovos BárbarosReino UnidoPolo norteIslândia: onde fica, população, dados gerais e mais informaçõesDinamarca: bandeira, capital e características gerais




sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Crescente Fértil


O Crescente Fértil é denominado o “Berço da Civilização”, posto que vários povos da antiguidade (cerca de 10.000 a.C.) se desenvolveram nessa região, daí sua grande importância na história da humanidade.


LocalizaçãoMapa da região do Crescente Fértil


Remover anúncios


Corresponde a uma região do Oriente Médio, com aproximadamente 500 mil km2 de extensão. Está localizada entre a Jordânia, Líbano, Síria, Egito, Israel, Palestina, Irã, Iraque e parte da Turquia.


Abriga grandes rios tal qual o Nilo, Tigre, Eufrates e Jordão. Todos eles tornaram a agricultura o principal meio de subsistência das primeiras grandes civilizações da antiguidade oriental.


História: Resumo


Além da agricultura, atividade que fixou a raça humana em detrimento do nomadismo, o Crescente Fértil destacou-se pelo desenvolvimento social, político, econômico e cultural das civilizações.


Isso desde o surgimento de cidades, do comércio, do alfabeto (escrita) e de diversas ferramentas criadas pelo homem.


Foi nesse contexto que as civilizações antigas se “sedentarizaram”, ou seja, passaram a fixar-se nos locais e a produzir seus próprios alimentos.


Essa “sedentarização” foi o fulcro necessário para o crescimento das cidades e, sobretudo, para o desenvolvimento das antigas civilizações. Destacam-se o desenvolvimento científico, o progresso tecnológico e outros modos de subsistência.



Lei das Doze Tábuas


A Lei das Doze Tábuas foi um conjunto de leis elaboradas no período da República romana, por pressão dos plebeus.


Instituídas em 451 a.C., ali estavam escritas as leis que determinavam como deveriam ser os julgamentos, as punições para os devedores e o poder do pai sobre a família.


Lei das Doze Tábuas comentada


As tábuas originais ficavam expostas no Fórum para que toda população pudesse conhecê-las.


Remover anúncios


Infelizmente, elas foram perdidas em 390 a.C. durante a invasão dos gauleses a Roma. Por isso, o que chegou até a atualidade foram citações das leis feitas por vários autores clássicos.


Tábua I


Estabelece as normas dos processos, como se deve fazer a abertura e o encerramento de um julgamento, a obrigação do réu comparecer ao julgamento, etc.


Isso garantia aos plebeus que os processos ocorreriam dentro de normas precisas e não inventadas no momento.


Tábua II


Acredita-se que continuava descrever os procedimentos no direito processual, como a presença obrigatória do juiz durante o julgamento. Também tratava sobre o furto e suas punições.


Assim como a Tábua I, fixava uma rotina para a realização dos julgamentos.


Tábua III


Ao contrário da anterior, esta tábua possui trechos completos. Fala sobre o julgamento e das penas que deveriam ser aplicadas aos devedores. Uma das punições, por exemplo, afirmava que os credores poderiam vender o devedor para saldar a dívida contraída.


Igualmente, decretava que uma propriedade tomada do inimigo, poderia voltar ao antigo dono por meio da força.


Esta lei deve ser entendida dentro do seu contexto histórico, pois a escravidão era permitida em Roma. Também consagra o direito de propriedade privada, inclusive quando esta pertencia ao inimigo.


Tábua IV


Expõe os poderes do chefe de família, conhecido como “pater familias”. O pai detinha o direito de matar um filho que nascesse com alguma deformidade, por exemplo. Da mesma forma, podia vendê-lo como escravo.


Esta lei expressa como o chefe de família era poderoso na Roma Antiga, com pouca participação das mulheres e menores de idade.


Tábua V


Caracteriza as heranças e tutelas. Indicava que se uma pessoa morresse sem herdeiros ou testamento, quem receberia a herança seria o parente mais próximo.


Esta lei garantia que os bens de uma família permaneceriam nesta mesma família, sem que um governante ou outra pessoa pudesse tomá-los.


Tábua VI


Esta descrevia como deveria ser a compra e a venda de propriedades. Como as mulheres eram vistas como objetos, também aqui se explica as condições pelas quais o marido deve proceder ao rejeitar a esposa.


Novamente, se põe em evidência o grande poder que o pai de família tinha nesta sociedade.


Tábua VII


Aborda os delitos cometidos contra a propriedade, seja um bem imóvel ou um escravo. Se alguém destruiu algo, deverá pagar a reconstrução ou ser punido por esta ação.


Trata-se de uma regra aplicada até hoje no direito dos países ocidentais.


Tábua VIII


Estabelecia as medidas entre as propriedade vizinhas e regras de convivência entre os vizinhos. Igualmente determinava as distâncias que deveriam ser deixadas livres para construção de caminhos entre as propriedades.


Estas normas são seguidas dentro do Direito Público que estipula as regras de coexistência entre a população.


Tábua IX


Assegurava as regras do direito público, por isso acredita-se que era uma continuação da anterior. Proibia a entrega de um concidadão ao inimigo e a realização de assembleias noturnas.


As regras da Tábua IX tinham como objetivo punir aqueles que fosse contra o regime político de Roma e garantir a fidelidade de seus cidadãos ao governo.


Tábua X


Estabelecia as leis onde se garantia o respeito aos túmulos e aos mortos.


Estas normas tinham como fim impedir que as tumbas fossem saqueadas por ladrões ou profanadas por inimigos políticos do falecido.


Tábua XI


Determinava a proibição do casamento entre patrícios e plebeus.


Esta lei buscava garantir que os privilégios continuariam nas mãos dos patrícios e não seriam perdidos através das alianças matrimoniais. Esta proibição acabaria com a Lei Canuleia, em 445 a.C.


Tábua XII


A última tábua versava sobre questões do direito privado como furtos ou a apropriação de objetos de forma indevida (invasões ou durante a ausência dos proprietários, por exemplo). Neste último estavam incluídos os escravos.


Esta lei visava garantir a propriedade privada tanto dos plebeus como dos patrícios.


Importância da Lei das Doze Tábuas


A Lei das XII Tábuas foi importante porque, pela primeira vez na história de Roma, as normas estavam escritas, e assim, não corriam o risco de ser manipuladas.


No período monárquico, como as leis eram transmitidas de forma oral, somente os patrícios a conheciam. Desta forma, os plebeus estavam sempre em desvantagem, pois não havia nenhuma garantia de um processo justo.


Por isso, os plebeus exigem mudanças neste sistema. Em primeiro lugar, conseguem a criação da figura do "tribuno da plebe", um cargo político para defender seus interesses.


Por isso, através da iniciativa do tribuno plebe Terentilo Arsa, as leis passariam a ser escritas. Um trio de magistrados foi a Atenas estudar a legislação que vigorava naquela cidade, a fim de aprendê-las e elaborar um código de leis para os romanos.


Igualmente, a Lei das XII Tábuas leis não havia sido feita pelos deuses e sim por seres humanos. Desta maneira, se buscava que a lei fosse igual para todos, evitando privilégios e injustiças.


Até hoje, o Direito Público e o Direito Civil dos países ocidentais é inspirado em várias regras estabelecidas neste documento. Por exemplo, a determinação que um julgamento deva ser realizado de forma pública, a inviolabilidade da propriedade e a igualdade jurídica entre todos os cidadãos, etc. Tudo isso veio da Lei das XII Tábuas e está presente no código jurídico de vários países.


Temos mais textos sobre o assunto para você:


República RomanaRoma AntigaExercícios sobre Roma Antiga



Democracia Ateniense


A Democracia Ateniense foi um regime político criado e adotado em Atenas, no período da Grécia Antiga.


Ela foi essencial para a organização política das cidades-estados grega, sendo o primeiro governo democrático da história.


O termo “Democracia” é formado pelo radical grego “demo” (povo) e de “kratia” (poder), que significa “poder do povo”.


Remover anúncios


ENEM 2025 AINDA DÁ TEMPO


Você não precisa se preparar para o ENEM sozinho


Nossos professores separaram o que realmente importa para você chegar pronto no ENEM — assim você estuda com foco e confiança.


Plano de Estudos Semanal


Resumo


Anterior a implementação da Democracia em Atenas, a cidade-estado era controlada por uma elite aristocrática oligárquica denominada de “eupátridas” ou “bem nascidos”, os quais detinham o poder político e econômico na polis grega.


Entretanto, com o surgimento de outras classes sociais (comerciantes, pequenos proprietários de terra, artesãos, camponeses, etc.), as quais pretendiam participar da vida política, a aristocracia resolve rever a organização política das cidades-estados, o que mais tarde resultou na implementação da “Democracia”.


De tal maneira, por volta de 510 a.C. a democracia surge em Atenas através da vitória do político aristocrata grego Clístenes. Considerado o "Pai da Democracia", ele liderou uma revolta popular contra o último tirano grego, Hípias, que governou entre 527 a.C. e 510 a.C..


Após esse evento, Atenas foi dividida em dez unidades denominadas chamadas “demos”, que era o elemento principal dessa reforma e, por esse motivo, o novo regime passou a se chamar “demokratia”. Atenas possuía uma democracia direta, onde todos os cidadãos atenienses participavam diretamente das questões políticas da polis.


De tal modo, Clístenes, baseada nas legislações anteriormente apresentadas por Dracon e Solon, iniciou reformas de ordem política e social que resultariam na consolidação da democracia em Atenas.


Como forma de garantir o processo democrático na cidade, Clístenes adotou o “ostracismo”, onde os cidadãos que demostrassem ameaças ao regime democrático sofreriam um exílio de 10 anos. Isso impediu a proliferação de tiranos no governo grego.


Sendo assim, o poder não estava somente concentrado na mão dos eupátridas. Com isso, os demais cidadãos livres maiores de 18 anos e nascidos em Atenas poderiam participar das Assembleias (Eclésia ou Assembleia do Povo), embora as mulheres, estrangeiros (metecos) e escravos estavam excluídos.


Diante disso, podemos intuir que a democracia ateniense não era para todos os cidadãos sendo, portanto, limitada, excludente e elitista. Estima-se que somente 10% da população desfrutavam dos direitos democráticos.


Além de Clístenes, Péricles deu continuidade à política democrática. Ele foi um importante democrata ateniense que permitiu ampliar o leque de possibilidades para os cidadãos menos favorecidos.


Por volta de 404 a.C., a democracia ateniense sofreu grande declínio, quando Atenas foi derrotada por Esparta na Guerra do Peloponeso, evento que durou cerca de 30 anos.


Características da Democracia AtenienseDemocracia diretaReformas políticas e sociaisReformulação da antiga ConstituiçãoIgualdade perante a lei (isonomia)Igualdade de acesso aos cargos públicos (isocracia)Igualdade para falar nas Assembleias (isegoria)Direito de voto aos cidadãos ateniensesDiferenças entre a Democracia Grega e Democracia Atual


A democracia ateniense foi um modelo político que fora copiado por várias sociedades antigas, e que influencia até hoje o conceito de democracia no mundo.


No entanto, a democracia atual é um modelo mais avançado e moderno da democracia ateniense, em que todos os cidadãos (maiores de 16 ou 18 anos), inclusive mulheres, podem votar e aceder a cargos públicos, sem que seja excludente e limitada.


Além disso, na democracia ateniense, os cidadãos tinham uma participação direta na aprovação das leis e nos órgãos políticos da polis, enquanto na democracia atual (democracia representativa) os cidadãos elegem um representante.


Leia também: Esparta e Atenas


Para testar seus conhecimentos: Questões sobre a democracia ateniense (com gabarito explicado)



Império Romano


O Império Romano é considerado o maior civilização da história ocidental. Durou cinco séculos: começou em 27 a.C. e terminou em 476 d.C.


Estendia-se do Rio Reno para o Egito, chegava à Grã-Bretanha e à Ásia Menor. Assim, estabelecia uma conexão com a Europa, a Ásia e África.


ENEM 2025 AINDA DÁ TEMPO


Você não precisa se preparar para o ENEM sozinho


Nossos professores separaram o que realmente importa para você chegar pronto no ENEM — assim você estuda com foco e confiança.


Plano de Estudos Semanal


Resumo sobre o império romano


No sistema político de império, o poder político estava concentrado na figura do imperador. O Império Romano começou com Otaviano Augusto e terminou com Constantino XI. O Senado servia para apoiar o poder político do imperador.


Remover anúncios


O império sucedeu à República Romana. Com o novo sistema, Roma, que era uma cidade-estado, passou a ser governada pelo imperador.


Foi em seu início que o império conquistou a maior parte do poder. Até 117 d.C., ao menos 6 milhões de quilômetros quadrados estavam sob o domínio do império romano.


Sob o domínio do Império Romano viviam entre 50 e 60 milhões de habitantes. Roma, nessa fase, foi habitada por 1 milhão de habitantes.


Entre os pontos fundamentais para o sucesso do império estava o exército, que era profissional e atuava como uma legião. Sob o comando de astutos generais, Roma expandiu o poderio ao Mediterrâneo.


Características do império romanoEssencialmente comercial;Escravizava os povos conquistados;O controle das províncias era feito por Roma;Politeísta;O governante tinha cargo vitalício;A extensão territorial era obtida por conquistas ou golpes militares.



Otaviano Augusto foi o primeiro imperador romano



Epopeia de Gilgamesh: descoberta e história


A Epopeia de Gilgamesh é um antigo poema mesopotâmico escrito pelos sumérios em torno de 2000 a.C.


Ele narra os feitos do herói Gilgamesh, rei de Uruk, que viveu por volta de 2.700 a.C., em sua busca pela imortalidade.


Essa é considerada a obra literária mais antiga da humanidade.


Escavações e localização da Epopeia


A Epopeia é composta por 12 tábuas de argila, cada qual contendo cerca de 300 versos.


Remover anúncios


As tábuas foram localizadas em uma escavação que ocorreu no século XIX, no Oriente Médio, na região onde ficava a antiga cidade assíria de Nínive.


Estas foram lideradas pelo arqueólogo britânico Austen Harry Layard que, em 1849, localizou uma série de itens pertencentes à Biblioteca de Nínive.


As traduções dos escritos foram feitas por Henry Rawlinson e George Smith na segunda metade do século XIX.


O texto foi publicado pela primeira vez em 1928, com transliteração e comentários de Campbell Thompson.


A Epopeia de Gilgamesh parece ter sido bastante conhecida na região onde teve origem. Pesquisadores localizaram diversas traduções e adaptações feitas a partir da história original.


A história da epopeia de Gilgamesh


A narrativa conta a epopeia de Gilgamesh, rei de Uruk. Gilgamesh é descrito como sendo dois terços deus e um terço homem.


Ele é apresentado na história como um rei autoritário, que oprimia seus súditos da cidade de Uruk enquanto os obrigava a construir uma muralha ao redor da cidade.


A população, amedrontada, pediu ajuda a deusa Ishtar, que havia criado Enkidu do barro. Ishtar enviou Enkidu ao encontro de Gilgamesh, com a missão de vencê-lo em um duelo e matá-lo após isso.


Remover anúncios


Contudo, os dois se tornaram amigos e passaram a viver muitas aventuras. Em uma delas narrada na epopeia, eles desrespeitaram a deusa Inana. Por conta disso, os deuses mataram Enkidu como punição.


Triste, Gilgamesh então iniciou outra jornada em busca da imortalidade. Ele vai atrás de Utnapishtim, herói conhecido por ter alcançado a imortalidade após sobreviver a um grande dilúvio.


A epopeia se tornou famosa no mundo pela sua antiguidade e pela semelhança com a lenda do dilúvio bíblico hebreu.


Nesse dilúvio, ele teria construído uma grande arca a mando dos deuses e abrigado sua família e inúmeros animais.


Esse herói prometeu a imortalidade para Gilgamesh, mas para isso ele deveria cumprir algumas missões. Missões essas que ele falhou.


Então, retornou para Uruk. Gilgamesh ainda tentou conseguir a imortalidade descendo ao fundo do mar para buscar uma planta que poderia evitar sua morte. Porém, acabou perdendo-a no caminho.



China Antiga




Três dinastias governaram a China entre o início do segundo milênio antes de Cristo e o ano 221 a.C.. Todas habitavam ao redor da Bacia do Rio Amarelo. Os Xia, Shang e Zhou foram as responsáveis pelo processo de ocupação do território chinês e pela formação étnica do país.


Antes mesmo da influência desta dinastia, por volta de 2,9 mil anos a.C., já eram registradas importantes invenções creditadas aos chineses, como a roda do oleiro, um grande avanço para modelar o vaso. Ainda hoje, esse é um dos mais usuais métodos para produzir vasos de barro.


Remover anúncios


Dinastia Xia


O reinado da dinastia Xia, a mais antiga delas, começa em 2200 a.C. e vai até 1750 a.C., na região conhecida como Vale do Rio Amarelo. Os historiadores têm poucas evidências reunidas sobre a permanência da dinastia Xia, que começou com o reinado de Yu, o Grande, conhecido por atuar contra as inundações do rio Amarelo.


Por parte dos Xia, a China experimentou o desenvolvimento da agricultura, do comércio e da medicina. Colonos construíam as casas nas margens do rio Amarelo e, além do cultivo da terra, também mantinham animais. É também nesse período que surge a seda, confeccionada a partir do casulo do bicho-da-seda.


Sociedade na Dinastia Xia


Dezessete imperadores reinaram durante esse período dinástico. A dinastia Xia teve importante papel na organização social dos chineses, sendo a responsável pela instituição do casamento. Também os trabalhos precursores da escrita, que seria aperfeiçoada pela sua sucessora, a dinastia Shang, que permaneceu de 1750 a.C. a 1040 a.C.


Dinastia Shang


Os estudiosos na dinastia Shang desenvolveram um sistema de escrita que era gravado em ossos dos animais e peças de bronze. Os habitantes desse período dinástico desenvolveram o uso de peças de bronze e um requintado sistema de organização social.


Remover anúncios


Vaso de cerâmica da dinastia Shang


Pesquisadores encontraram vasos de bronze com as primeiras evidências da escrita, que datam a 1200 a.C.


Os Shang dividiam a sociedade entre nobres, habitantes das cidades-palácios e camponeses. O poder monárquico estava restrito ao campo religioso. Eram politeístas e acreditavam que os mortos eram transformados em deuses.


A última capital chinesa pertencente à dinastia Shang estava situada em Anyang em 1300 a.C., cujas evidências só foram descobertas por arqueológos no século passado.


Dinastia Zhou


Povos vizinhos terminaram por enfraquecer a dinastia, que foi substituída pelos Zhou, que governou a China entre 1100 a.C. e 771 a.C. Antes aliados dos Shang, os Zhou viviam nas terras que hoje são conhecidas como Shaanxi.


Uma batalha ocorrida no ano 1050 a.C. marcou a queda da dinastia Shang e levou à China ao período que ficou conhecido como a "idade do ouro". A referência resumia o modo de governar dos Zhou, reconhecidamente eficientes.


O poder foi enfraquecido no ano 771 a.C., quando o rei Zhou foi morto por integrantes de uma tribo de vassalos. Embora o filho tenha assumido o poder, fugiu para o leste e a influência da dinastia foi fragilizada.


A dinastia Zhou é considerada a fundadora principal da civilização chinesa e controlou o país durante o Reino Médio. Coube aos Zhou a elaboração dos primeiros artefatos bélicos em ferro, o que contribuiu para a defesa das fronteiras. Essa é a era denominada idade do ferro na China.


Vaso da dinastia Zhou


Entre os muitos pontos que destacam esse período dinástico está Confúcio, nascido em 600 a.C. e considerado um dos mais importantes filósofos da história chinesa e mundial. A doutrina de Confúcio, o Confucionismo, incentiva a hierarquia tradicional, os rituais, a piedade e o respeito aos mais velhos.


China Imperial


Em 221 a.C., Qin Shi Huangdi tornou-se o imperador da China unificada após quase 250 anos de guerra. O reinado de Huangdi dá início ao período da China imperial e é o responsável pela introdução do sistema de pagamentos, de pesos e medidas e da escrita.


Também nesse período começa a construção da Grande Muralha da China. Quin Shi Huangdi morreu em 210 a.C. e, para proteger seu túmulo, um exército de 10 mil soldados de cerâmica foi construído. Os guerreiros ficaram conhecidos como o Exército de Terracota e, embora tenham sido produzidos em série, exibem feições individuais.



quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Índia Antiga


A Civilização Indiana é uma das mais antigas do planeta e há evidências arqueológicas que teria começado há 75 mil anos.


Sua formação se deu ao longo do rio Indo que era habitado por caçadores, coletores e nômades. Lentamente, estes passaram a se organizar em aldeias, por volta de 5.000 a.C., e ficaram conhecidos como o povo do Vale do Indo.


Remover anúncios


De lá partiram os povos que passaram a viver em toda a extensão da Europa e Ásia, entre 4 mil e 1 mil anos a.C., os chamados indo-europeus.


Características da Índia AntigaAspecto das ruínas da cidade de Mohenjo-Dara


Neste período, existiram duas grandes cidades, Mohenjo-Dara e Harapa, que nos permitem compreender como era a sociedade na Índia Antiga.


Ali, arqueólogos encontraram evidências de uma metrópole que abrigava cerca de 80 mil pessoas e que usavam tijolo cozido em seus edifícios. Destacam-se o planejamento simétrico de suas ruas, o sistema de abastecimento de água e de esgoto.


Remover anúncios


A maioria dos habitantes, contudo, vivia no campo e a agricultura era a base da economia. Plantavam-se frutas, como o melão, além de ervilhas, e trigo.


Sociedade na Índia Antiga


Nesta região e momento histórico, a sociedade era igualitária. A prova disso eram os edifícios muito semelhantes e poucas reservas de armas, o que aponta a despreocupação com a conquista e defesa.


A civilização do Vale do Indo despareceu por volta do ano 1500 a.C. e ainda não há conclusões sobre os fatos que levaram ao seu fim. Entre as teorias está a da ocorrência de um grande terremoto que teria desintegrado cidades inteiras e obrigou a mobilidade da população. A possibilidade de invasão por povos vizinhos também não está descartada.




Civilização Romana


A civilização romana tem origem com a expansão e consolidação do poder de Roma sobre a Península Itálica e os territórios vizinhos.


ENEM 2025 AINDA DÁ TEMPO


Você não precisa se preparar para o ENEM sozinho


Nossos professores separaram o que realmente importa para você chegar pronto no ENEM — assim você estuda com foco e confiança.


Plano de Estudos Semanal


Origem


A civilização romana é uma mescla de influências de culturas etruscas, gregas e orientais. Se os gregos se destacaram pela filosofia e os egípcios por sua arquitetura, podemos dizer que os romanos se sobressaíram por construir um Império que durou mil anos.


Remover anúncios


Assim, organizaram um sistema de comunicação, de transporte e de leis que pôde ser reproduzido em todos os cantos do Império Romano. Os romanos souberam se apropriar de vários aspectos dos povos que conquistavam e romanizá-los.


Aliás, a arte da guerra, como expressou o poeta Virgílio, na sua obra Eneida, parecia ser o objetivo dos romanos:


Lembra-te romano de submeter os povos a teu império. Tua missão é de impor as condições de paz, poupar os vencidos e abater os soberbos.


Política


A organização política da civilização romana foi mudando conforme as conquistas territoriais aconteciam e a população crescia. Distinguimos três fases:


Monarquia: durou de 753 a.C. a 509 a.C. É um período envolto em lenda e com pouca documentação.República Romana: a primeira experiência republicana da história,Império Romano: quando a civilização alcançou seu máximo esplendor.Economia


A economia romana baseava-se na agricultura, no comércio entre a distintas províncias, nas conquistas territoriais para alimentar a população e na escravidão.


Os romanos também desenvolveram uma eficiente arrecadação de impostos que deveriam ser entregues à capital diretamente. Com o tempo, isto foi gerando corrupção, pois era comum os governadores das províncias sonegarem certas quantidades de dinheiro ao governo central.


Arte


Herdeiros da arte grega, os romanos espalharam suas esculturas, pinturas e mosaicos por todo território que conquistavam.


Igualmente, construíam teatros onde podiam ser representadas peças que serviam para instruir e divertir a população. Também faziam termas, praças e mercados a fim de dar mais comodidades aos habitantes.


Em algumas cidades eram levantadas arenas para jogos de gladiadores, recriações de batalhas, e lutas entre homens e animais selvagens.


Anfiteatro romano na cidade de Nîmes, França.


Saiba mais sobre a Arte Romana.


Arquitetura


Os romanos abastados prezavam pelo conforto e, geralmente, nas casas dos patrícios havia água encanada. Se o rio não estivesse perto da cidade, um aqueduto era levantado para trazer água à população que a recolhia nas fontes instaladas na cidade.


As colunas romanas também se tornaram uma marca registrada desta cultura e estavam presentes nos fóruns e templos.


Aqueduto romano na cidade de Segóvia, Espanha.


Conheça a Arquitetura Romana.


Religião


Os romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. Grande parte dessas divindades foi trazida do panteão grego. Assim, Afrodite se transformou em Vênus, Ares virou Martes, Hera – esposa de Zeus - foi chamada de Juno pelos romanos, e o todo-poderoso Zeus grego, se converteu em Júpiter.


Além disso, ainda havia os deuses domésticos que eram cultuados por uma família. Com a restauração do Império, os governantes mais importantes eram declarados deuses pelo Senado e seu culto podia se estender por todo o território romano.


Leia mais sobre a Mitologia Romana.


Direito


O direito romano inspirou boa parte do Direito Ocidental tal como o conhecemos hoje.


Assim como a política e a economia, o Direito Romano acompanhou a evolução da sociedade. Soube incorporar as novas populações ao Império Romano, proteger a propriedade privada, definir os deveres da família, limitar o poder de atuação dos magistrados, etc.


Uma das inovações romanas em relação aos gregos e aos povos vizinhos foi a sistematização das leis e o aparecimento de uma classe de juristas profissionais. Desta maneira, os magistrados romanos deviam conhecer e estar aptos a aplicar essas mesmas leis. Os gregos, por exemplo, nunca trataram as leis como uma ciência isolada da filosofia.


Civilização Romana Hoje


Apesar de ter desaparecido como civilização, o fato é que o mundo Ocidental é herdeiro direto da civilização romana.


Podemos ver esta influência nos aspectos mais cotidianos como as artes e arquitetura. Inclusive em provérbios até hoje compreensíveis para nós que estamos no século XXI:


Leia alguns exemplos:


Todos os caminhos levam a Roma.Em Roma faça como os romanos.Quem tem boca vai a Roma.Roma não se fez num dia.



Antiguidade ou Idade Antiga: o que foi e suas civilizações


Antiguidade ou Idade Antiga é o período da história contado a partir do desenvolvimento da escrita, aproximadamente em 4000 anos a.C., até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 da era Cristã.


Esta divisão faz parte da chamada Periodização Tradicional da História, de perspectiva eurocêntrica. Desta forma, os historiadores davam ênfase às civilizações surgidas em torno do Mar Mediterrâneo, tendo como ponto máximo o Império Romano, na Europa.


Nesta perspectiva, era comum a divisão destas sociedades antigas entre Antiguidade Oriental e Antiguidade Ocidental:


A Antiguidade Oriental incluía a civilização egípcia (embora esta estivesse na África), mesopotâmia, hebreus, fenícios e persasA Antiguidade Ocidental (ou Clássica) era formada por gregos e romanos.


Na atualidade, os historiadores têm confrontado essa visão eurocêntrica, buscando na cultura material outros critérios, além da escrita, para balizar a Antiguidade em outros continentes e incluindo o estudo de outros povos.


Contudo, tal divisão ainda serve de referência para os estudos históricos, sendo essencial conhecê-la.


Civilizações da Antiguidade


O Egito, berço de uma civilização milenar, foi palco de importantes realizações humanas que surgiram por volta de 4000 a.C.


A Pedra da Roseta permitiu a decodificação da escrita hieroglífica, o que possibilitou o aprofundamento na história do Egito Antigo e da Civilização Egípcia.


A Mesopotâmia foi uma região, entre vale dos rios Tigre e Eufrates (Crescente Fértil), na qual se desenvolveram diferentes civilizações.


Em épocas sucessivas, sumérios, acádios e assírios, dentre outros povos, dominaram a região. Daqueles povos vêm os cálculos astronômicos, a escrita, o primeiro código, as cidades-estados e muito mais.


Os hebreus estabeleceram-se na Palestina, por volta de 2000 a.C. A Bíblia é uma das fontes da história dos Hebreus.


Os fenícios ocuparam o litoral da Síria, no norte da Palestina. A grande contribuição cultural dos fenícios foi a invenção do alfabeto fonético simplificado, composto de 22 letras, que incorporado pelos gregos e romanos, serviu de base para o alfabeto atual.


Os persas se organizaram por volta de 2000 a.C., no litoral do Golfo Pérsico, na Ásia.


Organizada em várias tribos, unificadas pelo rei Ciro, formaram o vasto Império Persa, um dos maiores da Antiguidade.


A Grécia formou-se no sul da península balcânica entre os mares Mediterrâneo, Egeu e Jônico.


O povo grego resultou da miscigenação entre os aqueus, jônios, eólicos e dóricos, que se instalaram na região, por volta de 2000 a.C. e 1200 a.C.


A Civilização Grega tem grande importância por sua influência na formação cultural e política do Ocidente.



Sumérios


Sumérios são os habitantes ou as pessoas naturais da Suméria, Sul da Mesopotâmia, onde atualmente se localiza o Iraque e o Kuwait.


Durante muitos anos acreditou-se que teria sido a primeira civilização a se desenvolver nessa região, localizada entre os rios Tigre e Eufrates.


Estudos mostram que a atividade humana na Mesopotâmia, porém, é ainda anterior a 4000 a.C.


Remover anúncios


Principais Características dos Sumérios


A civilização suméria se destacou em várias áreas: organização política (cidades-estado), arquitetura, agricultura, comércio.


O calendário surgiu entre esse povo, em 2700 a.C. Antes disso, surge a escrita cuneiforme e, por volta de 3200 a.C., os livros têm origem também com os sumérios.


O desenvolvimento do seu comércio garantiu a riqueza desse povo. Eles produziam e vendiam artesanato, cerâmica, bem como produtos agrícolas, e eram responsáveis por um sistema de irrigação bastante complexo.


Os sumérios eram politeístas, ou seja, acreditavam na existência de vários deuses. Era grande o culto especialmente à Ishtar - a deusa da fertilidade -, a qual representa as forças da natureza e cujo símbolo é uma estrela de cinco pontas.


Remover anúncios


Importa referir que nada se sabia sobre esse povo tão importante até o século XIX. As inúmeras descobertas devem-se aos estudiosos que foram levados à região a fim de tentar confirmar as histórias narradas na Bíblia.


As primeiras cidades do mundo são sumérias. Dentre elas, as mais importantes são: Adab, Eridu, Isin, Kullah, Lagash, Larsa, Nippur, Quis, Uruk e Ur, sendo esta considerada a mais poderosa. O saqueamento da cidade de Ur em 2000 a.C. marca o fim da supremacia suméria.


Veja também: Civilização Mesopotâmica


Saiba mais:


História e Origem do CalendárioHistória da Escrita



Queda do Império Romano


Dentre as causas da queda do Império Romano estão: disputas internas pelo poder, invasões bárbaras, divisão entre o Ocidente e o Oriente, a crise econômica e o crescimento do cristianismo.


Oficialmente, o Império Romano do Ocidente termina em 476 d.C., quando o Imperador Rômulo Augusto é obrigado a abdicar em favor de Odoacro, chefe militar de origem germânica.


A capital do Império, Roma, também sofreu as consequências da decadência. Foi saqueada pelas tropas de Alarico, em 410, e posteriormente, seria invadida por vândalos (455) e ostrogodos (546).


ENEM 2025 AINDA DÁ TEMPO


Você não precisa se preparar para o ENEM sozinho


Nossos professores separaram o que realmente importa para você chegar pronto no ENEM — assim você estuda com foco e confiança.


Plano de Estudos Semanal


Principais causas do fim do Império Romano


Vejamos alguns motivos que levaram ao declínio e ao fim do Império Romano.


1. Disputas internas


O regime de governo de Roma mudou de República para Império com Júlio César, no séc. I a.C. No entanto, apesar de ter se proclamado imperador, César manteve algumas instituições da República como o Senado.


Nem todos os imperadores, porém, respeitaram o poder dos senadores. Isso acabou por gerar mais atritos entre a classe política e os militares.


À medida que o Império se expandia, ficava cada vez difícil controlar os generais e os governadores das províncias. Não devemos esquecer que o Império Romano chegou a ter 10.000 km de extensão, com territórios no norte da África, Oriente Médio e Europa central.


Assim, com um ótimo exército nas mãos, alguns generais se rebelaram contra o poder central, mergulhando o Império em guerras civis.



quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Literatura Grega


A literatura grega ocupa um lugar central na história da cultura ocidental. Desenvolvida entre os séculos VIII a.C. e III d.C., ela não apenas inaugurou formas literárias que ainda utilizamos, como também influenciou profundamente o pensamento filosófico, a organização política e as expressões artísticas do mundo em que vivemos.


Seja pela poesia épica com Homero, o teatro de Sófocles ou a filosofia de Platão e Aristóteles, fato é que a literatura grega é a origem dos nossos modelos literários atuais. Isso porque a riqueza cultural da Grécia Antiga, mitológica e simbólica, moldou da arte até a psicologia moderna.


Remover anúncios


Neste conteúdo você encontra:


Importância e características da literatura gregaPeríodos da literatura gregaPeríodo arcaicoPeríodo clássicoPeríodo helenísticoPeríodo Greco-Romano ou RomanoConsolidação dos gêneros literáriosÉpicoLíricaTeatro (Drama)Filosofia e ProsaContexto históricoA importância duradoura e as características da literatura grega


A importância duradoura da literatura grega reside no seu papel em definir e consolidar os principais gêneros literários, muitos dos quais permanecem centrais até hoje. Ela explorou questões fundamentais da humanidade, como nossa existência, vida, morte e aprendizado.


A Grécia Antiga é considerada o berço das sociedades democráticas, dos debates éticos e morais, e sua filosofia continua sendo uma fonte substancial de conhecimento na educação.


As principais características evidentes em seus períodos e gêneros incluem:


Transição da oralidade para a escrita: o período Arcaico viu a mudança da tradição oral para as formas escritas com a introdução do alfabeto grego.Foco em mito, religião e valores heroicos: particularmente proeminentes no período Arcaico, esses elementos foram centrais nas primeiras obras.Exploração do individuo e dilemas éticos: o período Clássico marcou uma diversificação da literatura, aprofundando-se na razão humana e nos conflitos morais.Subjetividade e Simbolismo: a poesia helenística, por exemplo, tornou-se mais subjetiva, detalhada e simbólica.Investigação moral e filosófica: períodos posteriores, como o Greco-Romano, adotaram um tom mais enciclopédico, filosófico e moralizante.Influência de deuses e destino: muitas narrativas, especialmente épicos e tragédias, exploraram o papel da vontade divina e do destino nas vidas humanas, contrastando com a agência e inteligência humanas.Catarse e comentário social: o teatro grego, através da tragédia, visava a purificação emocional (catarse), enquanto a comédia oferecia um comentário satírico sobre a vida cotidiana, a política e as questões sociais.Panorama histórico da Literatura Grega


A literatura grega pode ser dividida em quatro grandes períodos. Observe a seguir o panorama da história da literatura grega.


Período Arcaico (séculos VIII–VI a.C.)


Este período marca a transição da tradição oral para a escrita, com a introdução do alfabeto grego. A literatura ainda está fortemente ligada à oralidade e à memória coletiva, com foco em mitos, religião e valores heroicos. Destacam-se os grandes autores e obras:


Homero, com Ilíada e Odisseia, que narram feitos heroicos e fundam o gênero épico;Hesíodo, com a Teogonia, que sistematiza a genealogia dos deuses e apresenta uma visão moralizante do mundo.Píndaro e Safo, com poesias líricas, que valorizavam a subjetividade e a expressão do sujeito.Período Clássico (séculos V–IV a.C.)


É o auge da cultura ateniense, período de intensa produção artística, filosófica e literária. A literatura se diversifica, surgindo gêneros como a tragédia, a comédia, a história e a filosofia. Os textos passam a explorar mais profundamente o indivíduo, a razão e os dilemas éticos. Autores fundamentais incluem:


Sófocles e Eurípides, na tragédia;Aristófanes, na comédia;Heródoto e Tucídides, na historiografia;Platão e Aristóteles, na filosofiaPeríodo Helenístico (séculos IV–I a.C.)


Com a conquista do Império por Alexandre, o Grande, a cultura grega se espalha por vastas regiões, tornando-se mais cosmopolita, refinada e erudita. A literatura se desloca de Atenas para centros como Alexandria. A poesia torna-se mais subjetiva, detalhista e simbólica, com destaque para:


Menandro, com a comédia nova, que extinguia o coro;Apolônio de Rodes, autor de épicos pós-homéricos, como Argonáutica.Período Greco-Romano ou Romano (séculos I–III d.C.)


Durante o domínio romano, a literatura grega continua viva e influente. O tom agora é mais enciclopédico, filosófico e moralizante. Muitos autores desse período retomam temas clássicos, mas com um olhar mais crítico e satírico. Destaca-se:


Plutarco, com suas Vidas Paralelas, que comparam personagens gregos e romanos;


Assim, entende-se que a literatura grega não apenas lançou as bases dos gêneros literários, como também formulou questões e estilos que seguem inspirando a produção artística e o pensamento crítico até hoje. Estudar essa tradição é compreender os alicerces de nossa própria cultura.


Consolidação dos gêneros literários


A literatura grega foi essencial para a definição e consolidação dos principais gêneros literários, muitos dos quais permanecem centrais até hoje:


Épico


Não se sabe se Homero de fato existiu, mas é a esse nome que se atribui os grandes épicos Ilíada e Odisseia. Esses cantos, inicialmente ligados à literatura oral, apresentam narrativas longas, em versos, centradas em heróis míticos e feitos grandiosos. É o texto de Homero quem deu origem ao gênero e estabeleceu elementos fundamentais para se pensar a narrativa e a jornada dos heróis.


Ilíada


O primeiro dos poemas atrelados à figura de Homero é Ilíada. O poema realiza a narrativa épica da Guerra de Troia, uma guerra entre gregos e troianos. O principal herói da história é o semideus Aquiles. A história gira em torno do dilema de Aquiles em lutar e cumprir seu destino ou não, algo que revela a concepção de mundo da sociedade grega.


A história começa com uma disputa entre Aquiles e Agamenon, líder dos gregos. Agamenon toma para si Briseida, uma escrava de Aquiles, o que faz com que o herói abandone a guerra. Sem Aquiles, os troianos, liderados por Heitor, ganham vantagem. Quando Heitor mata Pátroclo, amigo de Aquiles, este retorna à batalha, tomado pelo desejo de vingança. Ele mata Heitor e arrasta seu corpo diante das muralhas de Troia. No final, movido pela dor do rei Príamo, pai de Heitor, Aquiles devolve o corpo do inimigo para um enterro digno.


A ela respondeu em seguida o alto Heitor do elmo faiscante:

“Todas essas coisas, mulher, me preocupam; mas muito eu me

envergonharia dos Troianos e das Troianas de longos vestidos,

se tal como um covarde me mantivesse longe da guerra.

Nem meu coração a tal consentiria, pois aprendi a ser sempre

corajoso e a combater entre os dianteiros dos Troianos,

esforçando-me pelo grande renome de meu pai e pelo meu.


Odisseia


Em Odisseia, obra que até hoje influencia o mundo moderno, acompanhamos os cantos da jornada de Odisseu/Ulisses. O herói tenta voltar para casa, na ilha de Ítaca, após a Guerra de Troia. No entanto, sua jornada demora cerca de 10 anos.


A narrativa conta as aventuras que o herói viveu, como o encontro com o ciclope Polifemo, a feiticeira Circe e os cantos das sereias. Na narrativa, vemos também a espera de sua esposa, Penélope, e a angústia de seu filho, Telêmaco.


Aos companheiros, desta arte, contei as minúcias do caso,

à ilha, entrementes, a nau bem-construída chegara depressa,

onde as Sereias demoram, que um vento propício a impelia.

Eis que de súbito o vento se acalma e tranquila se estende

a calmaria, que as ondas fizera aplacar um demônio.

Pondo-se logo de pé, os companheiros a vela amainaram

e a depuseram na côncava nave; depois, assentados,

fazem que as ondas espumem aos golpes dos remos de abeto.

Uma rodela de cera cortei com meu bronze afiado,

em pedacinhos, e pus-me a amassá-los nos dedos possantes.

Amoleceu logo a cera, por causa da força empregada

e do calor grande de Hélio, o senhor Hiperiônio esplendente.

Sem exceção, depois disso, tapei os ouvidos dos sócios;

as mãos e os pés, por sua vez, me amarram na célere nave,

em torno ao mastro, de pé, com possantes calabres seguro.


Odisseu é tido como um herói astuto, que vence seus desafios com a inteligência. Assim, Ilíada e Odisseia mostram as faces da visão grega de mundo, do herói e seu destino à representação dos deuses como motores dos caminhos da vida do sujeito.


Lírica


Diferente da objetividade do épico, a lírica grega é subjetiva, expressando sentimentos pessoais. Poetas como Safo e Píndaro compuseram poemas que celebram o amor, a amizade, os deuses e os feitos humanos, muitas vezes acompanhados de música.


Esse tipo de poesia era composto em versos curtos, e suas declamações eram acompanhadas musicalmente da Lira. Era comum, assim, dividir a produção em monódica, cantada por uma só voz, ou coral, guiada por múltiplos declamadores.


[...]


manejador do cetro da justiça

na Sicília fecunda

e ceifeiro de todas as virtudes

em seus caules mais altos

e que sabe crescer com sua fama

pelo esplendor da música

enquanto nos deleita em mesa amiga.

(Píndaro)


Teatro (O drama)


Atenas foi o berço do teatro ocidental. Esse tipo de texto era feito para a representação em arenas circulares e costumavam representar diferentes aspectos da civilização. Assim, as tragédias e comédias gregas marcaram não apenas o período mas toda a história do teatro ocidental.


A tragédia grega


A tragédia grega era uma forma dramática solene e séria, que aborda temas profundos como o destino, o sofrimento humano, a justiça divina e os conflitos morais. Seus protagonistas, geralmente figuras nobres ou heroicas, enfrentam situações trágicas causadas por falhas humanas (hamartia), orgulho excessivo (hybris) ou forças do destino. O objetivo era provocar catarse (purificação emocional) no público, por meio do medo e da compaixão.


Outro mecanismo comum ao teatro grego, em especial nas tragédias, era o deus ex-machina (deus que desce numa máquina), como ferramenta para resolução dos conflitos. Nesse caso, diante do caos que os humanos provocavam, tudo se resolvia com a chegada de uma divindade (vinda com nenhuma ou pouca explicação no enredo) para resolver a questão.


Autores distintos destacaram-se por refinar o gênero.


Ésquilo – destacou-se por temas religiosos e pelo uso do segundo ator;Sófocles – refinou a estrutura dramática e introduziu o terceiro ator (ex: Édipo Rei; Antígona);Eurípides – aprofundou o lado psicológico dos personagens e questionou os deuses.


Trecho de Antígona


[...]


ANTÍGONA

Decide se me ajudarás em meu esforço.


ISMENE

Em que temeridade? Qual a tua ideia?


ANTÍGONA

Ajudarás as minhas mãos a erguer o morto?


ISMENE

Vais enterrá-lo contra a interdição geral?


ANTÍGONA

Ainda que não queiras ele é teu irmão

e meu; e quanto a mim, jamais o trairei.


(Sófocles)


Aprofunde os seus estudos sobre tragédia grega.


A comédia grega


A comédia grega, por outro lado, tem um tom satírico e irreverente, e trata de temas do cotidiano, da política e da vida social, sempre com humor, crítica e exagero. No período clássico, destacava-se a chamada comédia antiga, marcada pela liberdade de expressão e zombarias diretas a figuras públicas, como políticos e filósofos.


O maior nome da comédia antiga foi Aristófanes, autor de peças como As Rãs e Lisístrata. Depois, a figura de Antífanas representou um período de transição na comédia. Mais tarde, na comédia nova (com Menandro), o foco mudou para situações familiares e amorosas, com tipos sociais fixos (velho rabugento, jovem apaixonado, escravo esperto).


Trecho de As nuvens, comédia de Aristófanas


FIDÍPIDES

Sim, por este Posidão, o deus hípico.


ESTREPSIADES

Não, de modo algum, nem me fale nesse hípico! Esse deus é o causador das minhas desgraças! Mas, se por acaso você gosta de mim de verdade, do fundo do coração, meu filho, obedeça!


FIDÍPIDES

Mas precisamente em que devo obedecer-lhe?


ESTREPSIADES

Mude logo os seus hábitos e vá aprender o que eu aconselhar.


FIDÍPIDES

Então fale, que ordena?


ESTREPSÍADES

E você obedecerá um pouquinho?


FIDÍPEDES

Sim, por Dioniso, obedecerei.


ESTREPSÍADES

Olhe ali (aponta a casa de Sócrates). Você está vendo aquela portinha e aquele casebre?


FIDÍPIDES

Estou vendo. Papai, de fato o que é aquilo?


Aprofunde os seus estudos sobre o Teatro Grego.


Filosofia e Prosa


A transição da oralidade para a reflexão racional deu origem à filosofia, muitas vezes escrita em forma de diálogo, como nos textos de Platão e nas análises sistemáticas de Aristóteles. Também se consolidaram a historiografia (com Heródoto e Tucídides) e a oratória (com Demóstenes e Isócrates).


A filosofia Grega buscou responder às perguntas universais da humanidade: do que somos feitos, como vivemos, como morremos, como aprendemos etc. É comum até os dias atuais se utilizar desse tipo de pensamento, afinal, a Grécia Antiga é o berço das sociedades democráticas, dos debates éticos e morais. No campo da Educação, a filosofia grega continua sendo uma substancial fonte de saber.


Trecho de A alegoria da caverna – A República (514a-517c)


Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, pois, homens que vivem em uma morada subterrânea em forma de caverna. A entrada se abre para a luz em toda a largura da fachada. Os homens estão no interior desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo que não podem mudar de lugar nem voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles. A luz lhes vem de um fogo que queima por trás deles, ao longe, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um caminho que sobe. Imagine que esse caminho é cortado por um pequeno muro, semelhante ao tapume que os exibidores de marionetes dispõem entre eles e o público, acima do qual manobram as marionetes e apresentam o espetáculo.


PeríodoAutores PrincipaisTipos de TextoArcaico (séc. VIII–VI a.C.)Homero, HesíodoÉpico (Homero), Didático e Mitológico (Hesíodo)Safo, PíndaroLíricoClássico (séc. V–IV a.C.)Sófocles, Eurípides, ÉsquiloDramático – TragédiaAristófanesDramático – Comédia AntigaHeródoto, TucídidesHistoriográficoPlatão, AristótelesFilosóficoHelenístico (séc. IV–I a.C.)MenandroDramático – Comédia NovaApolônio de RodesÉpicoGreco-Romano (séc. I–III d.C.)PlutarcoFilosófico, Histórico


Contexto histórico


A Grécia Antiga compreende uma civilização constituída na Península Balcânica e em áreas ao seu redor. Essa civilização desenvolveu-se entre os séculos XX a.C. e I a.C. Apesar da distância temporal, a Grécia Antiga deixou um legado amplo dentro das civilizações.


Comumente, ela é estudada em fases, que articulam seu início, auge e declínio. Além disso, essas fases atrelam-se a elementos culturais, políticos e tecnológicos para serem definidas. É comum, portanto, dividir o estudo da sociedade Grega Antiga nos períodos Pré-Homérico, Homérico, Arcaico, Clássico e Helenístico.


A sociedade Grega encontro seu “fim” quando foi dominada pelo império Macedônico. Seus aspectos culturais, no entanto, atravessaram eras, sendo incorporados tanto pela Macedônia quanto, posteriormente, pelo Império Romano. Essas incorporações garantiram que até hoje a cultura e intelectualidade desse período fossem preservadas, moldando o mundo moderno.